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Joe não entrou na Estação Espacial Internacional sozinho, outros astronautas estavam com ele na missão.
Ao seu lado estavam Maria, bióloga, especialista em vida microscópica e ecossistemas extremos; José, piloto experiente e comandante da missão, homem de poucas palavras e decisões rápidas; e André, médico da tripulação, responsável por manter corpos e mentes funcionando longe da Terra.
A escotilha se fechou atrás deles com um som metálico seco, definitivo.
A estação parecia intacta. Limpa. Organizada demais.
— Está tudo… silencioso — murmurou Maria, ajustando os sensores do traje.
Silencioso não era o termo técnico esperado para um ambiente que deveria estar cheio de sinais vitais, alertas automáticos, vozes humanas.
Mas era exatamente isso: um silêncio que não soava vazio — soava contido.
Joe foi o primeiro a se aproximar da janela principal.
E então viu.
Do lado de fora da estação, flutuando a uma distância inquietantemente próxima, havia um objeto.
Não era lixo espacial.
Não era satélite.
Não seguia nenhum padrão conhecido de engenharia humana.
Tinha uma forma orgânica, quase viva. Superfície escura, mas não negra — como se absorvesse a luz sem apagá-la completamente. Não havia janelas, nem asas, nem propulsores visíveis.
— Vocês estão vendo isso? — a voz de Joe saiu baixa, quase com medo de ser ouvida.
José se aproximou lentamente.
— Isso não está em nenhum registro da missão — respondeu, sério. — Nem em nenhum registro da Terra.
André engoliu seco.
— Então… o que quer que seja, já estava aqui antes de chegarmos.
Eles se afastaram da janela. Nenhum deles ousou olhar por muito tempo.
Ao começarem a explorar a estação, a sensação piorou.
No módulo de pesquisa, encontraram o primeiro corpo.
Um astronauta flutuava preso ao corrimão, os olhos fechados, expressão serena demais para alguém em perigo. Os sinais vitais estavam baixos, mas presentes.
— Ele não está morto — disse André, após examinar os dados. — Está… inconsciente. Como em um sono profundo induzido.
Nos módulos seguintes, a mesma cena se repetia.
Um. Dois. Três. Todos os tripulantes da estação estavam desmaiados.
Sem sinais de luta.
Sem falhas estruturais.
Sem emergência registrada.
Maria observava os sensores biológicos com o rosto pálido.
— Não há toxinas conhecidas no ar — disse ela. — Nem bactérias, nem vírus comuns. É como se… algo tivesse desligado eles por dentro.
Joe sentiu um peso no peito.
— E se não foi um acidente?
O rádio permaneceu mudo.
Até que, de repente, os monitores da estação se acenderam sozinhos.
Sequências de números começaram a surgir, organizadas demais para serem falhas técnicas.
Joe reconheceu o padrão antes mesmo de decodificar.
Quando a palavra apareceu na tela, ninguém falou nada.
HELLO
José apertou os punhos.
— Não estamos sozinhos.
Maria completou, quase num sussurro:
— Nunca estivemos.
Do lado de fora, o objeto permaneceu imóvel, como se estivesse observando.
Ou esperando.
E naquele instante, Joe teve certeza de uma coisa:
A estação não estava em silêncio.
Ela estava escutando.
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